terça-feira, agosto 21, 2007

O Homem e o Mar

L’Homme et la Mer

Homme libre, toujours tu chériras la mer !
La mer est ton miroir ; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n’est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais à plonger au sein de ton image ;
Tu l’embrasses des yeux et des bras, et ton cœur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.

Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets :
Homme, nul n’a sondé le fond de tes abîmes ;
Ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets !

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remord,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
Ô lutteurs éternels, ô frères implacables !


Charles Baudelaire, 1857



Umberto Pelizzari por Fabrice Dall'Anese



(Tradução livre)
O Homem e o mar

Homem livre, sempre adorarás o mar!
O mar é teu espelho, contemplas a tua alma,
No desenrolar infinito das vagas,
E o teu espírito não é abismo menos amargo.

Delicias-te ao mergulhar fundo na tua imagem;
Abraça-la com os olhos e os braços, e o teu coração
Distrai-se do seu próprio batimento
No ruído desse lamento indomável e selvagem.

São ambos tenebrosos e discretos:
Homem, nunca sondaram o fundo do teu abismo
Ó mar, ninguém conhece tuas riquezas íntimas
Tão zelosos são de vossos segredos!

E todavia por séculos imemoráveis
Lutam um contra o outro sem dó nem piedade
Tal é o vosso amor ao massacre e à morte
Ó lutadores eternos, irmãos implacáveis!

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1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Os segredos sao zelosos e podem ser eternos!

quarta nov 21, 03:38:00 da manhã 2007  

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